Atuação junto ao aluno com deficiência intelectual: o que pensam os profissionais cuidadores

Cássia Aparecida Magna Oliveira, Kátia de Abreu Fonseca, Anna Augusta Sampaio de Oliveira

Resumo


O presente estudo aborda o papel do cuidador escolar na realidade de uma cidade do interior de São Paulo e objetivou pesquisar a percepção do cuidador sobre seu desempenho com alunos com deficiência intelectual. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário contendo perguntas abertas e fechadas, dirigido a 61 cuidadores de uma Secretaria Municipal de Educação, durante reunião de capacitação organizada pela Divisão de Educação Especial. Para fins de análise, os resultados foram agrupados em categorias de perfil de cuidador, percepção de desempenho e prática profissional, discutidas com base em documentos legais, incluindo aqueles específicos da Secretaria Municipal de Educação. Os resultados mostraram que o serviço de cuidador se apresenta em um movimento de consolidação no município em estudo, com 28% deles com graduação em Pedagogia, 38% com 4 a 6 anos e 11 meses de experiência profissional, 56% entende que seu papel seria o de responder às necessidades gerais ou específicas dos alunos e 44% consideram que alguns aspectos precisam ser alterados em relação à sua tarefa, como ter mais autonomia no trabalho, focar mais nas necessidades do aluno e ter uma atitude mais profissional. É importante considerar que o tema precisa ser mais explorado, a fim de construir um arcabouço teórico, pois na literatura ainda há muita diversidade quanto à definição de cuidador escolar e suas atribuições no ambiente escolar. Contudo, podemos afirmar a necessidade dessa função na escola, pois isso pode propiciar maior bem-estar aos alunos, melhor organização do trabalho pedagógico e maior acesso desses alunos ao ambiente escolar e à realização de atividades educacionais.

Palavras-chave


Cuidador escolar. Deficiência intelectual. Atuação. Percepção.

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