Alunos ou pacientes? Um debate acerca da medicalização nos discursos escolares sobre inclusão

Bruna Carla de Carvalho Amaral

Resumo


O presente artigo investiga a medicalização nos discursos escolares, com destaque para as falas sobre inclusão escolar. Em seu percurso, busca traçar os caminhos percorridos pela medicina moderna, desde o surgimento da medicina social, pontuando aspectos que lhe conferiram o poder de normalizar a sociedade, através do estabelecimento de regras e parâmetros a serem seguidos. É a medicina quem delimita o normal e o patológico. Através dos conceitos e análises de Michel Foucault, procura-se traçar as bases para o entendimento da medicalização enquanto tecnologia do biopoder. A instituição escolar tem acesso aos indivíduos na infância, cabendo-lhe o papel de governar seus corpos e conduzir os desviantes de modo a aproximá-los da norma. A escola medicalizada reduz questões de ordem ampla a patologias do corpo culpabilizando o indivíduo pelo não-aprendizado, rotulando crianças, banalizando o uso de fármacos e reduzindo o papel do professor.

Palavras-chave


Educação. Medicina. Medicalização. Inclusão escolar. Normalização.

Texto completo:

PDF

Referências


CASTRO, E. Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus temas, conceitos e autores. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.

COLLARES, C. A. L.; MOYSÉS, M. A. A. A Transformação do Espaço Pedagógico em Espaço Clínico (A Patologização da Educação). São Paulo: FDE, 1994. p. 25-31. (Série Idéias, n. 23).

FOUCAULT, M. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1977.

FOUCAULT, M. O nascimento da medicina social. In: FOUCAULT, M. Microfísica do poder. 26. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2008a. p. 79-98.

FOUCAULT, M. A política da saúde no século XVIII. In: FOUCAULT, M. Microfísica do poder. 26. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2008b. p.193-208.

GUARIDO, R. L. “O que não tem remédio, remediado está”: Medicalização da vida e algumas implicações da presença do saber médico na educação. 2008. 116 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

LOCKMANN, K. Medicina e inclusão escolar: estratégias biopolíticas de gerenciamento do risco. In: FABRIS, E. T.; KLEIN, R. R. (Org.). Inclusão e Biopolítica. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. p. 129-146. (Coleção Estudos Foucaultianos).

MOYSÉS, M. A. A. A institucionalização invisível. Crianças que não-aprendem-na-escola. Campinas: Mercado de Letras, 2001.

MOYSÉS, M. A. A.; COLLARES, C. A. L. Mais de um século de patologização da educação. Fórum: Diálogos em Psicologia, Ourinhos, ano I, n. 1, p. 50-64, 2014.

PELLIZZARO, N. Michel Foucault: um estudo do biopoder a partir do conceito de governo. Peri, Florianópolis, v. 5, n.1, p. 155-168, 2013. Disponível em: http://www.nexos.ufsc.br/index.php/peri/article/view/888. Acesso em: 30 ago. 2020.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 InFor e autores

             

InFor - Inovação e Formação - Revista do Núcleo de Educação a Distância da Unesp by IEP3 - Unesp e Reitoria da Unesp is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.

Todos os direitos reservados ao Instituto de Educação e Pesquisa em Práticas Pedagógicas (IEP3), à Unesp e seus autores.

Based on a work at ojs.ead.unesp.br

infor.iep3 [arroba] unesp.br

ISSN 2525-3476