Relações de língua e subjetividade na determinação da pessoa com deficiência

Vejane Gaelzer, Raquel Ribeiro Moreira, Diovana Gelati de Batista

Resumo


As pessoas com deficiência nem sempre foram aceitas na sociedade e, por muitos séculos, a convivência desses sujeitos nas práticas sociais lhes foi negada. Aos poucos, a aceitação das pessoas com deficiência foi avançando e, ao mesmo tempo, as suas formas de tratamento. Todavia, esse avanço das conquistas da inclusão não anulou completamente qualquer forma de estigmaticação e\ou preconceito. Neste viés, o presente estudo busca analisar diferentes designações oficiais da pessoa com deficiência, pautado no diálogo entre língua, sujeito e suas práticas sociais. Para analisar essas relações, foram tomados, por base, os pressupostos teóricos de Mikhail Bakhtin (2004), Michel Pêcheux (1997) e Michel Foucault (2009), além de entrevistas com pessoas com deficiência em processo de inclusão, ligados à Associação de Deficientes de Santa Rosa (ADEFISA), como materialidade analítica.  Desta forma, ao tratarmos do sujeito com deficiência, deparamo-nos com uma pessoa marcada por diferentes modos de designação que ainda não lhe permitem a plena inclusão, pois atestam situações de preconceito explícito e implícito nas diferentes práticas sociais a eles destinadas. Por isso, pode-se concluir que o processo inclusivo ainda precisa ser consolidado e aprimorado, começando, talvez, por escutar e entender o modo como as pessoas com deficiência querem ser designadas.

Palavras-chave


designação; práticas sócio-históricas, pessoa com deficiência.

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